Erros comuns no IELTS Writing que seguram brasileiros no band 6
Muita gente não trava no band 6 por falta de vocabulário “bonito”. Trava porque escreve de um jeito que parece aceitável para quem pensa em português, mas não para quem corrige o texto com os critérios do IELTS.
Esta página foi feita para mostrar exatamente isso. Não o básico do writing, mas os erros que se repetem, passam despercebidos e continuam derrubando a nota mesmo quando o candidato já estuda, já conhece modelo e já escreve com alguma segurança.
Para quem esta página faz sentido
- Você já escreve para o IELTS, mas sente que a nota não sai do lugar.
- Você costuma ficar entre 5.5 e 6.5 e não entende por quê.
- Você quer identificar os erros que se repetem no seu texto, e não só ler mais uma lista genérica de dicas.
- Você já percebeu que o problema não é “falta de esforço”, e sim falta de clareza sobre o que está derrubando a nota.
O que o examinador vê e você normalmente não vê
Quando você relê a própria redação, o seu cérebro completa muita coisa sozinho. Ele lembra o que você quis dizer, preenche a lógica que ficou implícita e tolera construções que soam naturais para quem pensa em português.
O examinador não faz isso. Ele lê só o que está na página. E é aí que aparecem os problemas: ideia que parece clara para você, mas não está bem desenvolvida; exemplo que parece suficiente, mas não prova nada; frase longa que “funciona” em português, mas fica torta em inglês.
O resultado é frustrante porque o texto não parece ruim. Ele parece quase bom. E é justamente esse “quase” que mantém muita gente presa no mesmo patamar.
Os 4 critérios que decidem sua nota
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Task Response
você realmente respondeu tudo o que a pergunta pediu ou só tocou no tema geral?
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Coherence and Cohesion
o texto avança com lógica ou vai se apoiando em conectores e frases meio soltas?
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Lexical Resource
o vocabulário está adequado e preciso ou está só tentando soar mais sofisticado?
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Grammatical Range and Accuracy
há variedade com controle ou muita frase “ambiciosa” com erro pequeno repetido?
O examinador não decide a nota por “impressão geral”. Ele lê o texto procurando sinais de controle, precisão e desenvolvimento real.
Os erros mais comuns não são os mais óbvios
O que mais segura brasileiro no IELTS Writing raramente é um erro gritante. Na maior parte do tempo, são micro-erros repetidos: artigo mal usado, verbo numa forma que parece aceitável, conectores encaixados de forma mecânica, escolha de palavra quase certa, mas não certa o suficiente.
Isoladamente, cada um desses erros parece pequeno. O problema é o padrão. Quando ele aparece em quase todo parágrafo, o examinador não vê um lapso. Ele vê falta de controle.
Task Response
- Falar sobre o tema, mas não responder direito a tudo o que a pergunta pediu.
- Escrever muito, mas sem foco real no que foi pedido.
- Ficar em cima do muro quando a task pede posição clara.
- Usar exemplo genérico que não sustenta a ideia principal.
Coherence and Cohesion
- Parágrafo com duas ideias fortes misturadas.
- Conector demais e progressão de menos.
- Blocos longos de texto sem respiro nem direção clara.
- Referência vaga com “this”, “that” e retomadas confusas.
Lexical Resource
- Falso cognato ou palavra “chique” usada do jeito errado.
- Vocabulário informal em contexto que pede mais controle.
- Repetição de palavras como people, important, help, society.
- Collocations que parecem lógicas para brasileiro, mas soam estranhas em inglês.
Grammar
- Erro recorrente com verb form, concordância e plural.
- Uso instável de artigos e preposições.
- Frases longas demais, com vírgula onde deveria haver pausa real.
- Tentativa de complexidade sem controle suficiente.
Task Response: você responde, mas responde torto
Um dos erros mais comuns é achar que “estar no tema” já basta. Não basta. No IELTS, responder ao assunto geral não é o mesmo que responder a pergunta com precisão.
- Ignorar uma parte do enunciado: o candidato fala bastante de um lado da discussão e quase nada do outro.
- Confundir quantidade com qualidade: escreve 330 palavras, mas dispersa em vez de aprofundar.
- Posição vaga: parece equilibrado, mas o examinador não consegue dizer com clareza o que você realmente defende.
- Exemplo que não prova: a frase parece formal, mas não conversa diretamente com o ponto que veio antes.
Esse é o tipo de erro que prende muita gente no band 6. O texto não foge do tema, mas também não atende a task com profundidade suficiente.
Coherence and Cohesion: o texto anda, mas anda mancando
Muita redação de brasileiro tem uma progressão “aceitável”, mas não limpa. O texto anda porque existe uma ordem básica. Só que ele anda com ruído: repetição, conectores forçados, parágrafo que começa numa ideia e termina em outra.
- Parágrafo com duas ideias principais: você tenta falar de dois argumentos fortes ao mesmo tempo e nenhum deles vai até o fim.
- Conector decorado: firstly, moreover, as a result, in conclusion em excesso, muitas vezes sem função real.
- Estrutura rígida: todas as frases parecem montadas com o mesmo molde.
- Pouca transição real: o texto muda de bloco, mas a ideia não se encaixa naturalmente.
O problema não é falta de conector. É falta de fluidez real. E isso o examinador percebe muito rápido.
Como isso costuma aparecer
- Introdução genérica, dois body paragraphs “corretos” e conclusão que só repete a abertura.
- Uso de This is because e For example em todo parágrafo.
- Parágrafos grandes demais, sem divisão natural entre ideia, explicação e exemplo.
- Texto que parece organizado na superfície, mas perde clareza quando alguém lê com critério.
Se esse é o seu caso, vale ver depois a página sobre coesão mecânica e a de erros comuns dentro do Writing.
Lexical Resource: vocabulário mais “avançado” nem sempre melhora a nota
Esse é outro ponto em que brasileiro costuma se enganar. A pessoa percebe que precisa soar mais formal e tenta subir o nível do texto pelo vocabulário. Só que muitas vezes faz isso trocando uma palavra simples e correta por uma palavra mais “bonita”, mas menos natural.
| Erro | Como costuma aparecer | Por que pesa contra você |
|---|---|---|
| Registro informal | boss, kids, make more money | soa casual demais para a tarefa |
| Escolha de palavra imprecisa | revenues para indivíduo, strong minded fora de contexto | parece vocabulário forte, mas denuncia imprecisão |
| Repetição | people, important, society, help em quase todo parágrafo | limita a percepção de variedade |
| Collocation torta | make respect, do a decision, high quantity of people | mostra que a palavra não está sob controle real |
A linha entre band 6.5 e band 7 muitas vezes passa por isso: não parecer “mais sofisticado”, mas parecer mais preciso.
Grammar: não é um erro grande. É o mesmo erro, o texto inteiro
Quando a nota trava por grammar, normalmente não é porque o candidato escreve tudo errado. É porque certos erros aparecem o tempo inteiro: artigo, concordância, forma verbal depois de preposição, preposição errada, frase longa demais, estrutura complexa sem controle.
- Verb form: instead of work em vez de instead of working.
- Agreement: workers do not / the disadvantages are.
- Articles: the exportation, in the society, a research.
- Prepositions: impact in, responsible of, prepare to adulthood.
- Sentence structure: although + but, comma splice, cláusula mal encaixada.
O que derruba a nota é a recorrência. O examinador não lê esses erros como detalhe. Lê como padrão.
Os 5 erros que mais travam brasileiros
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Verb + ing depois de preposição
parece pequeno, mas aparece em todo texto.
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Artigos mal usados
um dos sinais mais claros de influência do português.
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Vocabulário fora de registro
o texto fica menos acadêmico do que você imagina.
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Repetição excessiva
mostra range mais limitado do que o candidato percebe.
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Frase longa sem controle
o sentido até chega, mas a precisão vai embora.
Se você corrigisse só esses cinco pontos de forma consistente, a percepção de controle do seu texto já mudaria bastante.
Por que brasileiro demora para perceber isso sozinho
Porque o problema não é só linguístico. É mental também. O candidato escreve olhando para a intenção do que quis dizer, não para o efeito real do texto na leitura de quem corrige.
- Traduz a lógica do português: a frase parece natural porque a estrutura veio pronta da cabeça em português.
- Tenta soar avançado: sobe o nível do vocabulário antes de consolidar precisão.
- Usa estrutura decorada: se apoia em molde pronto para reduzir ansiedade.
- Evita aprofundar uma ideia: prefere espalhar argumento em vez de desenvolver bem um ponto.
- Não percebe repetição: está focado em terminar o texto, não em refinar o texto.
Exemplo: quando o texto parece bom, mas ainda não sobe
Um texto travado no band 6 ou 6.5 normalmente não é um desastre. Ele costuma ter organização básica, alguma variedade de frase e um argumento que dá para seguir. O problema é a consistência.
A versão mais baixa da nota costuma trazer:
- ideia relevante, mas pouco empurrada até o fim;
- vocabulário razoável, mas repetitivo ou “quase certo”;
- parágrafo com direção geral, mas sem progressão limpa;
- erros pequenos de grammar repetidos mais vezes do que o candidato imagina.
O que muda quando o texto sobe
- Mais foco: responde a pergunta sem dispersar.
- Mais desenvolvimento: a ideia não fica pela metade.
- Mais precisão: menos palavra deslocada, menos repetição óbvia.
- Mais controle: frase complexa só aparece quando o candidato consegue sustentar.
É essa diferença de controle que separa um texto “quase bom” de um texto que realmente começa a se aproximar de 7.
Por que é tão difícil corrigir isso sozinho
Porque você conhece a intenção do texto. Quem lê de fora conhece apenas o texto. Essa diferença muda tudo.
Sozinho, você até consegue perceber um erro isolado. O que quase nunca consegue ver é o desenho inteiro: onde a resposta ficou parcial, onde o parágrafo perdeu foco, onde o vocabulário está repetindo demais, onde a mesma falha de grammar apareceu de novo.
É por isso que muita gente estuda bastante, consome conteúdo, lê modelo, mas continua treinando exatamente os mesmos vícios que o examinador já associou a band 6.
Perguntas que aparecem o tempo todo
Por que minha nota não sobe no IELTS Writing?
Porque, na maioria dos casos, o problema não está em estudar pouco. Está em repetir o mesmo padrão: responder só por cima, desenvolver pouco, usar vocabulário “quase certo” e manter micro-erros de grammar ao longo do texto inteiro.
Esses erros pequenos realmente derrubam a nota?
Sim. Isolados, eles podem parecer pequenos. Repetidos, viram sinal de falta de controle. E é isso que segura muita gente no mesmo nível.
Por que eu não percebo esses erros sozinho?
Porque você lê lembrando da sua intenção. O examinador lê apenas o que está escrito. Esse contraste explica por que tanta gente acha que o texto “está bom”, mas a nota não acompanha.
O problema é grammar ou vocabulário?
Normalmente não é uma coisa só. O que prende no band 6 costuma ser uma combinação: resposta parcial, coesão mecânica, escolha de palavra imprecisa e erros pequenos de grammar repetidos.
Vale pedir correção mesmo se eu já estudo sozinho?
Vale justamente por isso. Quando você já estuda sozinho, o que mais faz falta costuma ser o olhar externo: alguém mostrando o que você não está conseguindo enxergar no próprio texto.
Resumo direto
Se você está travado no band 6, o mais provável é que o problema não seja falta de vontade nem falta de estudo. O problema é continuar escrevendo com padrões que parecem aceitáveis para você, mas não passam a mesma segurança para quem corrige o texto.
O jeito mais rápido de sair desse ciclo não é procurar mais um modelo pronto. É descobrir, com honestidade, onde sua resposta fica torta, onde sua coesão fica mecânica, onde seu vocabulário perde precisão e onde sua grammar continua instável.
